Os medicamentos para a urgencia urinaria vem sobretudo de duas classes de farmacos: os anticolinergicos (tambem chamados antimuscarinicos) e os agonistas beta-3. Acalmam uma bexiga hiperativa para que a vontade subita de urinar dispare com menos frequencia. Funcionam melhor como um passo seguinte, acrescentado depois das mudancas de comportamento e da fisioterapia do pavimento pelvico, e nao como a primeira medida.
A versao curta
- Duas classes principais de farmacos fazem a maior parte do trabalho: os anticolinergicos e os agonistas beta-3 ([3], [5]).
- A terapia comportamental e a fisioterapia do pavimento pelvico vem primeiro e muitas vezes ja chegam por si so ([1], [2]).
- Nos mais idosos, os anticolinergicos trazem uma precaucao quanto a memoria e a demencia. Um farmaco beta-3 e muitas vezes a escolha mais segura ([4]).
- Da a qualquer comprimido cerca de 4 semanas antes de o julgares. Depois da menopausa, o estrogenio vaginal em baixa dose ajuda e raramente e oferecido ([7]).
O Dale tem 68 anos, e professor reformado, e ja saiu do mesmo filme tres vezes. De cada vez, a vontade aperta por volta dos 90 minutos, e ele faz a mesma corridinha discreta pelo corredor escuro. Fez as contas: a vontade chega de 90 em 90 minutos, mais ou menos, o dia todo. Na primeira consulta, o medico pegou no bloco de receitas antes de alguem perguntar pelo cafe da tarde, pela agua da noite ou pelo pavimento pelvico. O Dale saiu com um comprimido e uma preocupacao vaga. O comprimido era real e podia ajudar. Mas foi-lhe entregue como sendo a resposta, quando na verdade e apenas um degrau de uma escada mais longa.
Este guia faz duas coisas. Da-te o conhecimento honesto e util sobre farmacos que vieste procurar: os nomes, como funcionam, as suas vantagens e desvantagens. E conta-te a parte que a internet costuma esconder: a coisa mais barata e de menor risco a experimentar quase nunca e uma receita.
Para que servem afinal estes medicamentos
Estes farmacos tratam uma bexiga demasiado sensivel ou hiperativa. Pensa na bexiga como um balao com um alarme nervoso ligado a ele. Na urgencia, esse alarme esta demasiado sensivel. Dispara quando o balao mal esta a encher, por isso sentes uma necessidade subita e dificil de ignorar de ir. Os comprimidos baixam esse alarme ou relaxam o musculo para que o balao retenha mais antes de avisar.
A urgencia e um problema de armazenamento. A bexiga esvazia bem. So que avisa cedo demais e alto demais. O guia sobre urgencia urinaria explica este padrao de falso alarme, e o guia sobre bexiga hiperativa cobre o quadro mais amplo.
Eis o que estes farmacos nao resolvem. Nao tratam uma infecao urinaria. Nao ajudam quando o verdadeiro problema e um jato bloqueado ou fraco na saida. Por isso a primeira tarefa, antes de qualquer comprimido, e ter a certeza de que a urgencia e de facto aquilo que tens.
Primeiro, a parte honesta: o medicamento e um degrau, nao o inicio
A grande diretriz de urologia apresenta o tratamento como uma escada. Comecas pelas opcoes mais suaves e de menor risco e so subes se precisares ([1]).
Os degraus de baixo nao sao comprimidos. Sao a terapia comportamental, a fisioterapia do pavimento pelvico e pequenos ajustes nos liquidos e na cafeina. Sao genuinamente de primeira linha e, para muitas pessoas, ja chegam por si so. O treino da bexiga, em que vais esticando aos poucos o tempo entre idas, pode funcionar tao bem como os farmacos, com menos efeitos secundarios ([2]).
Isto nao e razao para saltar os comprimidos se precisares deles. E razao para experimentar primeiro os degraus baratos e seguros. Cortar o cafe da tarde e uma das coisas de maior rendimento que podes testar numa semana. Consulta o treino da bexiga e os alimentos que irritam a bexiga. Se isso nao bastar, o medicamento e um passo seguinte justo e razoavel. Nada disto e uma derrota. E so a ordem que funciona.
As duas classes principais de farmacos
Quase todas as receitas para a urgencia sao de um de dois tipos. Apontam ao mesmo objetivo, uma bexiga mais calma e menos vontades, mas chegam la por caminhos diferentes.
Anticolinergicos (antimuscarinicos)
Estes sao o grupo mais antigo e mais conhecido: oxibutinina, tolterodina, solifenacina, fesoterodina, trospio e darifenacina. Funcionam bloqueando um sinal nervoso chamado acetilcolina. Em termos simples, baixam o sinal de contracao para que o musculo da bexiga fique quieto durante mais tempo.
Ajudam, mas o efeito e modesto e trazem efeitos secundarios ([3]). Os habituais vem de secar o corpo: boca seca, prisao de ventre e, por vezes, visao turva. O trospio e a darifenacina sao muitas vezes escolhidos quando esses efeitos sao um problema, porque tendem a ser um pouco mais suaves.
Agonistas beta-3
Este e o grupo mais recente: mirabegron e vibegron. Em vez de bloquearem a contracao, relaxam diretamente o musculo da bexiga para que ela retenha mais antes de avisar. Caminho diferente, mesmo objetivo.
A grande vantagem e o conforto. O mirabegron alivia os sintomas mais ou menos tao bem como os farmacos antigos, mas com muito menos boca seca e prisao de ventre ([5]). O vibegron, a opcao mais nova, tambem reduziu as vontades, a frequencia e as perdas no seu ensaio principal e foi bem tolerado ([6]). A unica coisa a vigiar e a tensao arterial: os farmacos beta-3 podem fazer subi-la um pouco, por isso o teu clinico deve verifica-la.
Por isso isto e uma bifurcacao, nao uma hierarquia. Mesmo alvo, dois caminhos. Qual deles encaixa depende da tua idade, da tua tensao arterial e dos outros medicamentos que ja tomas.
A questao da memoria: os anticolinergicos e os cerebros mais velhos
Eis a parte que a maioria das listas de farmacos salta, e que mais importa se tiveres mais de 65 anos.
O mesmo sinal nervoso que estes farmacos antigos bloqueiam na bexiga tambem ajuda o cerebro a funcionar. Os anticolinergicos nao ficam todos arrumadinhos na bexiga. Ao longo de anos de uso, uma maior exposicao total a anticolinergicos fortes tem sido associada a um maior risco de demencia nos mais idosos ([4]). Isso inclui os farmacos da bexiga desta classe.
Isto nao e razao para entrares em panico se ja tomaste um. E razao para teres uma conversa a serio. Para os mais idosos, e exatamente por isto que um farmaco beta-3 como o mirabegron ou o vibegron e muitas vezes a melhor escolha. Acalma a bexiga sem esse compromisso com o sinal cerebral. Se tiveres mais de 65 anos e alguem pegar no bloco de receitas, uma pergunta justa e simples: "Ha alguma opcao que nao traga o risco para a memoria?"
Para as mulheres depois da menopausa: estrogenio vaginal em baixa dose
Se a urgencia chegou por volta da menopausa, ha uma opcao que muitas mulheres nunca chegam a ouvir oferecer. A medida que o estrogenio desce, o revestimento da bexiga e da uretra fica mais fino e mais facilmente irritado. Um estrogenio em baixa dose, aplicado mesmo onde e preciso sob a forma de creme, comprimido ou um pequeno anel, pode acalmar a urgencia, a frequencia e as perdas em muitas mulheres ([7]).
Isto nao e o mesmo que a terapia hormonal oral. E uma dose pequena e local que, na sua maioria, fica onde a colocas. Vale a pena perguntar por ela diretamente. O guia sobre urgencia urinaria nas mulheres aprofunda o lado hormonal disto.
Quando os comprimidos nao chegam: as opcoes de terceira linha
Se o trabalho comportamental e um ensaio justo das duas classes de farmacos nao resolveram o problema, ha opcoes mais fortes, de especialista. Nao precisas aqui do detalhe profundo, so dos nomes para que nao sejam uma surpresa.
- Botox na bexiga. Uma pequena dose de onabotulinumtoxinA, injetada na parede da bexiga, relaxa o musculo hiperativo. Num ensaio frente a frente, reduziu as perdas mais ou menos tao bem como um anticolinergico diario ([8]).
- Estimulacao nervosa. Sinais eletricos suaves podem acalmar os nervos da bexiga. Uma opcao, a estimulacao percutanea do nervo tibial, envia o sinal atraves de uma agulha fina perto do tornozelo e e segura e eficaz para a bexiga hiperativa ([9]).
- Neuromodulacao sagrada. Um pequeno dispositivo implantado que estabiliza o trafego nervoso para a bexiga.
Estas sao opcoes reais e bem estudadas. Sao degraus mais acima na escada, para quando os passos mais simples nao chegaram.
Quanto tempo experimentar um medicamento, e quando trocar
As pessoas muitas vezes desistem de um farmaco cedo demais e decidem que ele falhou. Da-lhe tempo. A maioria destes farmacos precisa de cerca de 4 semanas antes de os poderes julgar com justica, e ate 12 semanas para o efeito pleno assentar.
Por isso eis um plano simples. Toma-o conforme indicado durante um mes. Faz uns dias de notas perto do fim para os poderes comparar com o ponto de partida. Se estiver claramente a ajudar e o toleras, mantem o rumo. Se nao houver mudanca real, ou se os efeitos secundarios pesarem, isso nao e um beco sem saida. O passo seguinte habitual e mudar de classe, de um anticolinergico para um beta-3 ou ao contrario, antes de subir para as opcoes mais fortes. Trocar e um passo normal, nao um sinal de que ficaste sem sorte.
Quando consultar um clinico
A maior parte da urgencia e incomoda, nao perigosa. Mas faz-te observar prontamente perante qualquer um destes sinais:
- Sangue na urina
- Ardor ao urinar, ou febre (isto aponta para infecao, nao para simples urgencia)
- A vontade surgiu de repente ao longo de um dia ou dois
- Nao consegues esvaziar bem a bexiga, ou nao consegues urinar de todo
- Esta a destruir o teu sono ou a tua vida diaria
E antes de aceitares uma receita na hora, e justo perguntar duas coisas: "Devemos experimentar primeiro a fisioterapia do pavimento pelvico?" e "Posso fazer um diario curto da bexiga para sabermos qual a opcao que de facto encaixa?" Se tambem precisas de urinar constantemente, esse pormenor ajuda o teu clinico a apontar-te o degrau certo.
Perguntas frequentes
Qual e o melhor remedio para a urgencia urinaria?
Nao ha um unico melhor. A escolha certa depende da tua idade, da tua tensao arterial, dos outros medicamentos que tomas e de quais efeitos secundarios consegues tolerar. A terapia comportamental e a fisioterapia do pavimento pelvico vem primeiro e muitas vezes ja chegam. Quando um farmaco e o passo seguinte, um agonista beta-3 e muitas vezes preferido nos mais idosos, porque evita o risco anticolinergico para a memoria.
Que farmacos se usam para a urgencia urinaria?
Duas classes principais. Os anticolinergicos incluem a oxibutinina, a tolterodina, a solifenacina, a fesoterodina, o trospio e a darifenacina. Os agonistas beta-3 sao o mirabegron e o vibegron. Para as mulheres depois da menopausa, o estrogenio vaginal em baixa dose pode ajudar. Se isso nao bastar, as opcoes de especialista incluem o Botox na bexiga, a estimulacao do nervo tibial e a neuromodulacao sagrada.
Qual e o tratamento de primeira linha para a urgencia urinaria?
Nao e um comprimido. A primeira linha e comportamental: o reeducar da bexiga, a fisioterapia do pavimento pelvico e o ajuste dos liquidos e da cafeina. Sao de baixo risco e muitas vezes ja chegam por si so ([2]). O medicamento e o degrau seguinte, acrescentado se o trabalho comportamental sozinho nao resolver as coisas. O guia principal sobre urgencia percorre o quadro completo.
Qual e o novo comprimido para a incontinencia urinaria?
O mais recente e o vibegron, vendido como Gemtesa. E um agonista beta-3, a mesma familia do ja estabelecido mirabegron. Ambos relaxam a bexiga para que ela retenha mais, com pouca da boca seca que os farmacos anticolinergicos antigos provocam.
Qual e o melhor remedio para a bexiga hiperativa nos idosos?
Para os mais idosos, um agonista beta-3 como o mirabegron ou o vibegron e muitas vezes preferido. Acalma a bexiga sem a precaucao quanto a memoria e a demencia que vem com os farmacos anticolinergicos antigos ([4]). Pesa-o sempre face aos teus outros medicamentos e a tua tensao arterial, em conjunto com o teu clinico.
Este artigo destina-se a educacao geral e nao substitui o aconselhamento medico do teu profissional de saude. Se tiveres sintomas que te preocupam, contacta um clinico. Foto: Lisa Baker no Unsplash.



